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“A verdade Nua e Crua” Rondônia terá clima de 1940, diz o Cientista.

Rondônia terá o clima de 1940, diz cientista

Luiz Carlos Molion, pesquisador da Universidade Federal de Alagoas, PhD em Meteorologia, pós-doutor em Hidrologia de Florestas e membro da Organização Meteorológica Mundial, é conhecido como “o cientista que não se curva aos ambientalistas radicais”. Molion gerou polêmica por defender que o aquecimento global é natural e que o homem pouco influencia no clima. O pesquisador esteve em Porto Velho participando de um seminário sobre as perspectivas climáticas e na ocasião recebeu a equipe do Diário para uma entrevista exclusiva. Na conversa, Molion contou que já esteve em Rondônia há 20 anos e que tem uma longa história em termo de Amazônia, que gerou sua tese de doutorado: “O desmatamento da Amazônia e os impactos no clima global e regional”. Com dados e relatos, o cientista põe em cheque o gasto mundial com pesquisas para combater o aquecimento da Terra e diz sem titubear que os ambientalistas divulgam informações erradas por ignorância. Para os próximos 20 anos, ele afirma que desastres graves voltarão a acontecer no Brasil e Rondônia sofrerá com problemas de abastecimento de água.

 

Diário da Amazônia: Como o senhor avalia as discussões acerca das questões ambientais?


Luiz Carlos Molion:
Do ponto de vista do aquecimento global, existiu um aquecimento entre 1977 e 1998 e acabou. Foi um aquecimento natural e foi até 1998. Uma nova técnica estatística sugere que o aquecimento tenha ido até 2004. Mas agora estamos entrando no resfriamento global que vai durar 20 anos. Até o ano de 2030, 2032, nós vamos ter um resfriamento global e não o aquecimento global. Ficou muito claro ao longo desses estudos que o gás carbônico não controla a temperatura global, o gás carbônico é na verdade uma resposta. A temperatura sobe antes, principalmente dos oceanos, e o gás carbônico sobe depois, semelhante ao que você vê no refrigerante, em que, quando o líquido está frio, ele retém o gás, na medida em que ele se aquece, ele expulsa o gás que tá em solução. Isso acontece com os oceanos da Terra, que constituem 71% da superfície do planeta. Quando os oceanos se aquecem, eles expulsam mais gás carbônico e a concentração de gás na atmosfera aumenta. Quando os oceanos se esfriam, durante eras glaciais, aí eles retiram o gás carbônico da atmosfera e a concentração da atmosfera diminui. Para você ter uma ideia, fluxos naturais de carbono entre oceanos, vegetação, solos e atmosfera, somam 200 bilhões de toneladas por ano. O homem, queimando petróleo e carvão mineral, coloca seis bilhões de toneladas, apenas 3%. E a incerteza que nos temos dos fluxos naturais é 20%. Essa é a incerteza, o erro. Um dos maiores bancos do mundo, o da Suíça, divulgou o relatório em que ele mostra que a comunidade europeia já gastou 280 bilhões de euros com medidas para diminuir o aquecimento global. É muito dinheiro e um dinheiro muito mal gasto, porque o aquecimento global não passa de uma hipótese e essa hipótese não tem comprovação científica, mas todo mundo tem interesse econômico por trás disso.

 

DA: Como começou essa teoria de que o planeta estaria aquecendo?

LM: Essa história toda começou com a primeira crise do petróleo, em 1973. O petróleo deu um salto enorme, passou de US$ 4 o barril para US$ 11 – recentemente chegou a US$ 150, mas ninguém reclama – mas naquela época foi um problema sério. E aí surgem os especialistas. Um especialista em petróleo dizia: “já passamos o pico de extração, 60% do petróleo que existe no mundo já foi consumido”. Isso em 1973. Aí os países industrializados, Inglaterra, Alemanha, França, Estados Unidos, ficaram preocupados com uma possível crise energética, falta de petróleo. Então eles passaram a utilizar essa hipótese de que o gás carbônico aumentava a temperatura para evitar que os países subdesenvolvidos quisessem se desenvolver e dividir o petróleo que restava no mundo. Acontece que, já se sabia há muito tempo, você pode pegar livros publicados na década de 1960 sobre clima, que o clima passa de 25 a 30 anos se aquecendo e de 25 a 30 anos esfriando, e uma variação pequena, menor que 1°C. No início dos anos 1970 nós já estávamos em um período frio que começou em 1946. A Europa passou por invernos rigorosos nesse período, o Brasil também teve uma frequência grande de geadas, a ponto da última geada, em 1975, ter acabado com o cultivo de café no Paraná. O cafeeiro precisa de quatro anos pra entrar em regime de produção e a cada três anos tinha uma geada forte que matava o café e ele tinha que recomeçar do zero. Então o pessoal saiu do Paraná e veio plantar café em Rondônia. Em 1976 a temperatura começou a subir, já com a hipótese de que era o carbono liberado pelo homem que fazia a temperatura subir. A hipótese ganhou força e com uma adição: o fato do homem viver na cidade. O fenômeno do século XX foi o homem sair do campo e ir morar na cidade. Em uma região com vegetação, floresta e com campo cultivado, a água da chuva fica retida, então o calor do sol é usado primeiramente para evaporar a água e o restante para resfriar o ar. Em uma cidade, impermeabilizada por asfalto, telhados, concretos, a água da chuva cai e vai embora e não tem água para evaporar e todo o calor do sol é usado para aquecer o ar. Então quem mora numa cidade, em geral, tá sentindo uma temperatura 4 graus mais elevada do que o indivíduo que tá na mata. A temperatura global começou a subir lentamente por conta desse ciclo natural, e ao mesmo tempo a sensação que o ser humano tem, vivendo na cidade, é de que a temperatura está mais elevada.

 

DA: A temperatura mundial tem, em média, variado quanto?


LM:
A temperatura ficou oscilando globalmente nesses últimos 150 anos em torno de 0,8 grau, mas localmente não, porque a medida que a cidade cresce o indivíduo sente mais calor do microclima urbano. Só que esse sinal não se propaga globalmente, porque a gente vive em um planeta de 71% de oceanos e apenas 29% de continentes. O oceano pacífico sozinho ocupa 31% da superfície do planeta. Todos os continentes juntos dão 29%. Desses, 15% são de gelo e areia. Sobram 14%, dos quais 7% ainda estão cobertos por florestas tropicais e temperadas. O homem manipula apenas 7% da superfície do planeta e aglomerado em grandes cidades. Então não tem como esse sinal pequeno mudar o clima global. Agora, o homem tem a capacidade enorme de destruir seu ambiente. Localmente o homem é desastroso. Quando o homem desmata, eu diria que o maior impacto ambiental do desmatamento não é o CO2 que é liberado – como afirma essa palhaçada da COP 17 – o maior impacto é quando você retira as florestas e expõe os solos à intensidade das chuvas tropicais. As chuvas desagregam os solos, as enxurradas carregam para os rios, esse solo muda a qualidade da água, da vida aquática, os rios ficam mais rasos e qualquer pico de cheia já inunda tudo. Então, lamentavelmente, tem se gastado muito dinheiro com algo que não tem absolutamente fundamento científico nenhum.

 

DA: Se as mudanças são cíclicas, por que temos tantos ambientalistas divulgando o contrário?


LM
: Ignorância. Nada é verdade. Por exemplo, de fato houve um derretimento nas geleiras, um derretimento no gelo flutuante do ártico, que atingiu o máximo em 2007, mas se eu olhar para trás, eu tenho registro de expedições que foram enviadas na década de 1920 para saber por que estava degelando. E o que é que o homem lançava na atmosfera naquela época? Nada. No final da Segunda Guerra [Mundial], em 1945, estima-se que as emissões eram 6% do que é hoje. Então não era nada. Essas variações são cíclicas. Em longo prazo nós estamos caminhando para uma nova era glacial, mas vai se levar uns 100 mil anos para se chegar a temperaturas baixas, tipo 8 a 10 graus inferiores a de hoje.

 

DA: Esse último ciclo de aquecimento começou de que forma?


LM:
Em 1976, o oceano pacífico se aqueceu, porque a atmosfera é aquecida em contato com a superfície. E se um oceano grande como o pacífico mudou, se aqueceu rapidamente, então aos poucos ele foi aquecendo o clima. A temperatura média global subiu em função do aumento da temperatura do pacífico. Não sabemos o que aconteceu. Pode ter sido o grande terremoto do lado Oeste do Pacífico, próximo da Austrália, e lá, como o oceano é muito quente, pode ser que tenha provocado uma redistribuição de calor no Pacífico e ele se aqueceu. Mas é especulação. O que se sabe é que, a partir do momento em que ele ficou quente, ele começou a influenciar a atmosfera, mudando o tempo, diminuindo geadas, friagens, aumentando a temperatura, baixando a umidade relativa.

 

DA: Existem problemas na forma como são medidas essas temperaturas?


LM:
Uma estação meteorológica representa apenas um raio de 150 metros. Então se você tirar ela e colocar a 5 quilômetros de distância ela passar a medir o micro-clima daquele novo local. Mas as pessoas não se preocupam com isso. As estações de medição geralmente são afastadas da cidade e continuam mandando o tempo como se fosse tudo igual. Na realidade, no momento que transportou para uma distância superior a 150 metros já está medindo um novo clima. Então as séries de temperatura têm muitos problemas além das manipulações. Se o pessoal quer provar que a década de 2000 foi a mais aquecida, eles colocam correções nos dados, para que esses dados correspondam ao que eles querem. Cientistas do mundo fazem isso porque tem muito dinheiro na jogada. Aqui no Brasil, entre os meus colegas, tem gente muito bem preparada, com doutorado no exterior, com excelente formação acadêmica, mas resolvem ficar do lado do aquecimento porque fica fácil arrancar dinheiro, como fizeram agora, que receberam R$ 50 milhões para colocar um novo super-computador, capaz de fazer 258 trilhões de contas por segundo. É a oitava máquina do mundo. Se eu chego para um político, um administrador e digo “olha, não se preocupa, que o clima é variado” ele me manda embora. Mas se eu faço um terrorismo eu consigo.

 

DA: Por que a sua teoria não é mais divulgada para que haja um debate maior acerca da existência ou não do aquecimento?


LM:
Eu venho fazendo isso desde setembro de 1979. Meu primeiro artigo escrevi em 1990, depois em 1991 outro. Mas até a metade dos anos 1990 aqui no Brasil ninguém se preocupava com isso. Na década de 2000, o pessoal começou a perceber que era fácil conseguir recurso usando o aquecimento global como desculpa. Isso não só o pessoal de tecnologia, como os ambientalistas de forma geral. Me lembro que na década de 1980 tudo o que acontecia no mundo era culpa do El Niño. A partir de 1995 era tudo do aquecimento global. Esse ano eu já fiz mais de 70 palestras no Brasil inteiro. Onde eu vou, aproveito as oportunidades para divulgar. As televisões não me dão abertura. A [TV] Globo não tem jeito. Mas agora, nesses próximos 20 anos, vai haver o resfriamento e a natureza vai falar por mim.

 

DA: Com as mudanças que acontecerão, qual a sua previsão para o Brasil e região Norte nesses próximos 20 anos?

LM: No Brasil vai haver um aumento de tornados, mais tempestades severas. Os desastres sempre ocorreram, mas hoje a vulnerabilidade social é maior. O que já acontece há 50, 60 anos, hoje causa desastres maiores. As cidades precisam de seus espaços geográficos repensados. As pessoas precisam ser retiradas de áreas de riscos porque os desastres vão voltar a acontecer. Nos próximos 20 anos a tendência é que volte a ter um clima semelhante ao do final da década de 1940 que durou até 1975. Rondônia terá uma ligeira redução de chuva, na ordem de 5 a 15% durante o verão e isso vai reduzir a abertura de nuvens. No inverno, a frequência de friagens vai aumentar de agosto a novembro, o período de seca, de abril a setembro, vai ficar mais seco, com umidades relativas baixas, inferior a 20%, o que pode causar problemas de abastecimento de água.

Matéria: Diário da Amazônia
Fonte: Diário da Amazônia
Alteração da Manchete: O Cone Sul


Arquivado em: Meio Ambiente

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